L Congresso Brasileiro de Alergia e Imunologia 2023

Dados do Trabalho


Título

UPADACITINIBE NA DERMATITE ATÓPICA – RELATO DE USO EM ADOLESCENTE COM SUCESSO PARCIAL

Resumo

INTRODUÇÃO: A dermatite atópica (DA) é uma doença crônica que nos casos mais graves requer terapia sistêmica. Atualmente estão disponíveis imunossupressores, imunobiológicos e pequenas moléculas, como o upadacitinibe, um inibidor seletivo e reversível da Janus Quinase 1 (JAK1).

RELATO DE CASO: Rapaz de 14 anos, acompanhado no ambulatório de dermatite atópica desde os 7 anos, SCORAD mantido entre 30 e 50, além do tratamento tópico, foi tratado com: dieta de exclusão de leite de vaca, imunoterapia para aeroalérgenos, doxepina, múltiplas descolonizações e metotrexato (MTX) por 2 anos, com controle apenas parcial da doença, com episódios repetidos de infecção cutânea secundária. Em agosto de 2022, foi iniciado o upadacitinibe, na dose de 15 mg/dia, com redução gradativa do MTX. Nos primeiros 15 dias de uso já se observou uma significativa melhora clínica, com remissão quase completa do prurido (SCORAD = 9). O paciente seguiu sem apresentar efeitos adversos, com exacerbações mais raras e mais leves, SCORAD entre 9 e 30 e sem infecções cutâneas durante oito meses. Porém, por problemas com o fornecimento da medicação, houve interrupção de 2 semanas em seu uso. Simultaneamente, problemas familiares ocorreram submetendo o paciente a estresse emocional e houve piora significativa do quadro cutâneo. Mesmo após retorno do medicamento, em uso regular por mais de 3 meses, não se obteve o mesmo controle da DA obtido antes (SCORAD = 40).

DISCUSSÃO: O upadacitinibe foi capaz de promover um bom controle de um paciente com DA resistente aos demais tratamentos instituídos, com significativa melhora de sua qualidade de vida. No entanto, diante de uma breve interrupção do tratamento, associada a estresse emocional, o retorno da medicação não foi suficiente para retomar a melhora obtida. Opções possíveis seriam o aumento da dose do upadacitinibe para 30mg/dia ou associação com imunossupressor, mas é necessário considerar custo do tratamento, acesso e possibilidade de efeitos adversos.

Área

Imunoterapia e imunobiológicos

Autores

Isabela Teixeira Queiroz, Luiza Lima Furtado, Gabriela Pereira Diogo, Yasmin Peres Silva, Laura Santos Oliveira, Camila Koeler Lira, Maria Fernanda De Andrade Melo e Araujo Motta, Ekaterini Simões Goudouris , Fernanda Pinto Mariz, Evandro Alves do Prado